MAM Rio recebe a primeira apresentação no Brasil de obra seminal de Daniel Buren, composta por uma regata-performance na Baía de Guanabara seguida de exposição no foyer do Museu.

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) recebe, em janeiro de 2026, a primeira edição brasileira de Voile/Toile—Toile/Voile [Vela/Tela—Tela/Vela], projeto seminal do artista Daniel Buren (1938, Boulogne-Billancourt), realizado em parceria com a Galeria Nara Roesler. Iniciado em 1975, o trabalho transforma velas de barcos em suportes de arte, deslocando o olhar do espectador e ativando o espaço ao redor por meio do movimento, da cor e da forma. Ao longo de cinco décadas, o projeto foi apresentado em cidades como Genebra, Lucerna, Miami e Minneapolis, sempre em diálogo direto com a paisagem e o contexto locais.

Concebida originalmente em Berlim, em 1975, Voile/Toile – Toile/Voile evidencia o uso das listras verticais que Buren define como sua “ferramenta visual”. O próprio título da obra explicita o deslocamento proposto pelo artista, ao articular dois campos centrais do modernismo do século 20 — a pintura abstrata e o readymade — transformando velas de barcos em pinturas e expandindo o campo de ação da obra para além do espaço expositivo.

“Trata-se de um trabalho feito ao ar livre e que depende de fatores externos e imprevisíveis, como clima, vento, visibilidade e posicionamento das velas e barcos. Mesmo repetido diversas vezes, cada apresentação é única, tal qual uma peça de teatro ou um ato dramático.” Daniel Buren, em conversa com Pavel Pyś, curador do Walker Art Center, Minneapolis.

No dia 22 de janeiro, às 15h, a ação começa com uma regata-performance na Baía de Guanabara. Onze veleiros da classe Optimist partem da Marina da Glória e percorrem o trajeto até a Praia do Flamengo, equipados com velas que incorporam as listras verticais brancas e coloridas criadas por Buren. Em movimento, as velas se tornam intervenções artísticas vivas, ativando o espaço marítimo e o cenário do Rio de Janeiro como parte integrante da obra. O público poderá acompanhar a performance desde a orla, e toda a ação será registrada.

Após a regata, as velas serão transferidas para o foyer do MAM Rio, onde integrarão a exposição derivada da performance, em cartaz de 28 de janeiro a 12 de abril de 2026. Instaladas em estruturas autoportantes, as onze velas — com 2,68 m de altura (2,98 m com a base) — serão dispostas no espaço conforme a ordem de chegada da regata, seguindo o protocolo estabelecido por Buren desde as primeiras edições do projeto. Esse procedimento preserva o vínculo direto entre performance e exposição e evidencia a transformação das velas de objetos utilitários em objetos artísticos. A expografia é assinada pela arquiteta Sol Camacho.

“Desde os anos 1960, Buren desenvolve uma reflexão crítica sobre o espaço e as instituições, sendo um dos pioneiros da arte in situ e da arte conceitual. Embora Voile/Toile – Toile/Voile tenha circulado por diversos países ao longo de 50 anos, esta é a primeira vez que a obra é apresentada no Brasil. A proximidade do MAM Rio com a Baía de Guanabara, sua história na experimentação e sua arquitetura integrada ao entorno tornam o museu um espaço privilegiado para a obra do artista.” Yole Mendonça, diretora executiva do MAM Rio.

Ao prolongar no museu uma experiência iniciada no mar, Voile/Toile – Toile/Voile estabelece uma continuidade entre a ação na Baía de Guanabara e sua apresentação no espaço expositivo, integrando paisagem, arquitetura e percurso em uma mesma experiência artística.

“A maneira como Buren tensiona a relação da arte com espaços específicos, principalmente públicos, é fundamental para compreender a história da arte contemporânea. Esta peça, que começa na Baía de Guanabara e chega aos espaços internos do museu, é um exemplo perfeito dessa prática.” Pablo Lafuente, diretor artístico do MAM Rio.

Em continuidade ao projeto, a Nara Roesler Books publicará uma edição dedicada à presença de Daniel Buren no Brasil, reunindo ensaios críticos e documentos da realização de Voile/Toile – Toile/Voile no Rio de Janeiro, em 2026.

Sobre o artista

O artista Daniel Buren.

Daniel Buren (Boulogne-Billancourt, França, 1938) é um dos principais nomes da arte conceitual desde os anos 1960. Membro fundador do grupo Buren, Mosset, Parmentier, Toroni, tornou-se internacionalmente conhecido pelo uso sistemático de listras verticais de 8,7 cm, aplicadas a diferentes superfícies, espaços arquitetônicos e contextos urbanos.

Entre 1967 e 1968, realizou intervenções públicas não autorizadas em Paris com cartazes listrados, prática retomada no início dos anos 1970 em mais de cem estações do metrô da cidade. A partir dessas ações, Buren formulou o conceito de arte in situ, caracterizando obras concebidas em relação direta e indissociável com o lugar onde são apresentadas.

Ao longo de sua trajetória, expandiu sua pesquisa para trabalhos tridimensionais, ambientes imersivos e o uso de cor, luz, espelhos e materiais translúcidos, transformando a percepção do espaço e a experiência do espectador. Participou de diversas edições da Bienal de Veneza, onde recebeu o Leão de Ouro em 1986, e mantém presença central no circuito internacional da arte contemporânea.

Sobre o MAM Rio

O MAM Rio promove experiências participativas e inclusivas a partir da arte. Fundado em 1948 com a premissa de ser um museu-escola, é referência como plataforma de criação e formação para artistas e públicos, alcançando diferentes gerações e territórios. O museu possui um extenso acervo de arte moderna e contemporânea, com foco em arte brasileira e fotografia, totalizando cerca de 16 mil obras distribuídas em três coleções de artes visuais. O prédio do MAM no Parque do Flamengo, projetado por Affonso Eduardo Reidy com jardins de Roberto Burle Marx, é referência mundial em arquitetura. O museu e seu entorno oferecem um espaço de convivência e experimentação, impulsionando processos de troca, circulação e vivências culturais. A Cinemateca do MAM oferece programação presencial e online, com filmes históricos e contemporâneos, nacionais e internacionais, além de documentos e equipamentos relativos à produção cinematográfica. Por meio de projetos sustentáveis e inclusivos, o museu contribui para o desenvolvimento da sociedade, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. O MAM Rio conta com patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Petrobras, Instituto Cultural Vale, Itaú, Laranjinha do Itaú, Mattos Filho Advogados, Sergio Bermudes Advogados, BMA Advogados, Ferroport e Granado via Lei Federal de Incentivo à Cultura; Light, Vivo e BAT Brasil via Lei Estadual de Incentivo à Cultura; Alta Diagnósticos, Concremat, Deloitte, Guelt Investimentos, Icatu, JSL, Multiterminais via Lei Municipal de Incentivo à Cultura; e Bloomberg. Agradece ainda ao Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro e Secretarias de Cultura.

Obra de Daniel Buren.

Sobre a Nara Roesler

A galeria Nara Roesler, fundada em 1989, representa artistas brasileiros e latino-americanos influentes desde a década de 1950, além de artistas contemporâneos de diferentes gerações. Reconhecida pela inovação curatorial e rigor na produção artística, a galeria mantém programas de exposições internos e externos e expandiu seus espaços em São Paulo (2012), Rio de Janeiro (2014) e Nova York (2015), consolidando-se como plataforma de excelência para seus artistas.


Serviço: Exposição Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela), de Daniel Buren. Abertura: 28 de janeiro de 2026 | Encerramento: 12 de abril de 2026. Performance/regata: ida e volta da Marina da Glória à Praia do Flamengo, 22 de janeiro de 2026, às 15h. Visitação: quartas a domingos e feriados, das 10h às 18h; domingos, das 10h às 11h, visitação exclusiva para pessoas com deficiência intelectual. Ingresso: gratuito, para todos os públicos | https://www.mam.rio/ingressos. Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85, Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro | Site: https://www.mam.rio

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Publicado por:Philos

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